
Nada é grave se não se perde a consciência do que se é. Quando perdemos a consciência de que somos alma imortal, uma centelha divina, unidos eternamente a Deus, nosso amado Pai e Mãe, adoecemos física, mental ou emocionalmente. Caímos na ilusão da separação. Muitas vezes mesmo sabendo que não existe separação, o conhecimento é apenas mental, não conseguimos senti-lo em nossas vidas, experimentar essa união verdadeiramente.
A medicina musical é uma das formas de se manter a sintonia com o divino. Ela é utilizada há séculos nas diversas tradições sapienciais: cristianismo, hinduísmo, cabala, sufismo e xamanismo, como a arte do despertar da alma. Entoar cantos, mantras, tocar instrumentos, fazer ou escutar música são práticas que reverberam em todos os níveis do nosso ser, criando uma harmonia com o universo, e nos lembrando do ser que realmente somos.
Pitágoras (séc.VI aC) compreendeu a dimensão espiritual do som tendo sido um precursor na sua utilização para a cura das paixões da mente, para o desânimo e angústia, e todas as perturbações psíquicas. Ele dizia que cada corpo celestial, todo e qualquer átomo, produz um determinado som em virtude do seu movimento, ritmo ou vibração, e que todos esses sons e vibrações formam uma harmonia universal.
Atualmente existem diversos estudos científicos que explicam como a vibração sonora é ouvida não apenas pelos nossos ouvidos, mas também por todas as células do nosso corpo mudando o padrão das ondas cerebrais e criando estados de relaxamento profundo e de ampliação da consciência. Um médico francês renomado pesquisador na área do som, Alfred Tomatis, no final da década de 1960, foi chamado a um monastério beneditino no sul da França para avaliar o que acontecia com muitos monges que pareciam sofrer de uma doença rara, que lhes havia tirado toda vitalidade, lançando os a uma fadiga inexplicável. Depois de examiná-los e conhecer a condição de vida do lugar, soube que o abade recém-chegado havia mudado as regras da casa, trocando o tempo dedicado ao canto gregoriano por atividades mais produtivas. Sugeriu então aos monges que voltassem à sua prática regular do canto gregoriano, e a cura se completou em 5 meses. O som ou vibração é a força mais poderosa do universo.
A música é uma arte divina, a ser usada não somente para o prazer, mas como um caminho para a união com Deus. Cantar um cântico sagrado com profunda devoção cria vibrações que levam à sintonia com a Vibração Cósmica, ou o Verbo. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. – João 1:1. Aquele que cantar um canto espiritual com grande sentimento e atenção, a sós ou em grupo, perceberá mais tarde que o cântico reverberará nos bastidores do seu subconsciente, trazendo uma alegria inefável no decorrer das atividades diárias. Encontrará com essa prática diária a comunhão divina e por meio dela a cura do corpo, da mente e da alma. A música saturada com a força da alma é a verdadeira música universal, compreendida por todos os corações.
Amarilis Plessmann